À moda Clariá

Conheça a marca sob o comando criativo de uma jovem empreendedora. Maria Clara Paloni mostra ser possível fazer moda no interior e conta como surgiu a ideia que veste as mulheres da região

 

Se ao andar pelo comércio de algumas cidades da nossa região. Você passar por uma fachada toda preta, com um logo minimalista posicionado no topo, grandes televisões exibindo vídeos irreverentes, um perfuminho de flores de cerejeiras que domina a frente do local e manequins prateados a lá futuristas, logo terá uma sensação de um Déjà vu, mas não se engane: você realmente já viu uma dessas lojas antes.

Acabo de descrever as primeiras impressões ao passarmos em frente a uma Clariá, rede de lojas de marca própria nascida no interior paulista que cresce em grande velocidade e cai no gosto de um público jovem e apaixonado por moda.

Aos 22 anos de idade, formada em moda pela Unicesumar, Maria Clara Paloni é o nome que está à frente, ou melhor, por trás da Clariá, já que costuma passar mais tempo nos bastidores, dentro da fábrica, onde são produzidas as coleções desta marca de roupas femininas. Em menos de dois anos conta com quatro lojas pelo interior paulista e tem planos para abrir mais seis nos próximos anos.

“A forma como uma pessoa se veste diz muito a seu respeito”,

Era horário do almoço dos funcionários da fábrica quando chegamos. O silêncio dava a sensação de uma falsa calmaria já que o barulho das máquinas de costura e corte tinha dado uma pausa. Em uma pequena sala ao lado da mesa de corte Maria Clara nos aguardava, nas paredes esboços e referências da próxima coleção de verão que só chegará às lojas em dezembro deste ano.

Ali das imensas janelas de vidro é possível acompanhar todas as fazes do processo de produção das peças, e foi nesse ambiente que a empresária recebeu a VOX para contar a trajetória dessa marca que em pouco tempo despertou a atenção da mulherada.

Maria descreve a Clariá como uma marca voltada a um público jovem, não de idade, mas de espírito, antenado com as tendências do mundo da moda. Uma moda a um valor acessível, para quem gosta de se expressar através do que veste.

“As pessoas não querem mais só se vestir, os jovens estão mais engajados com o cenário atual, a roupa também é uma maneira de expor sua personalidade e seus gostos. A forma como uma pessoa se veste diz muito a seu respeito”, afirma.

Sobre a rotina de trabalho que por vezes a leva a se dividir entre três ou mais cidades em uma mesma semana ela descreve como algo desafiador, porém, que vale a pena. “O meu trabalho é praticamente todo dentro da fábrica, é onde fica a criação e é a parte do trabalho que mais me identifico. Estando na fábrica consigo acompanhar todas as etapas de produção. Quando não estou aqui, estou viajando em busca de fornecedores e outros aspectos do negócio. No começo era um pouco cansativo, mas já me ajustei bem e hoje consigo administrar meu tempo de uma maneira positiva”.

Ela conta que o sucesso em alcançar o público alvo da empresa se deve ao cuidado minucioso com cada coleção. “Tudo é pensado, desde as pesquisas, o conceito da estação, as escolhas de tecidos, até a forma como apresentamos o produto final. Nós produzimos fotos e vídeos em todas as coleções, as modelos são escolhidas a dedo, elas têm que ter a carinha da Clariá, o resultado é um produto de qualidade com uma identidade visual autêntica.


Escolhemos fazer nossa divulgação quase exclusivamente pelas redes sociais, pois é onde está o nosso público”. A marca não busca se diferenciar somente pela qualidade e estética dos produtos, mas também pelo modo que as roupas chegam ao consumidor. Ela adotou uma prática de liberar semanalmente uma parte da coleção, para que a loja esteja sempre abastecida com novidades. Para isso foi necessária uma logística de produção e distribuição diferente do que costumamos observar em empresas do mesmo segmento.

O sucesso desta estratégia é algo fácil de ser constatado. Basta passar em uma das lojas às sextas-feiras, dia em que as novidades da semana já estão dispostas, para ver uma quantidade enorme de clientes conferindo a coleção e se preparando para o fim de semana. “Isso faz com que as clientes venham semanalmente na loja. Elas sabem que deixar para adquirir em outro momento a peça da qual gostaram, a mesma já pode ter sido vendida.”

Além do diferencial na distribuição das roupas há mais um fator que traz às clientes Clariá uma sensação de exclusividade. Na grade de produção não existem dois modelos de uma mesma numeração.

“Não queremos que nossa cliente vá para uma festa e encontre várias pessoas usando a mesma roupa. Por isso temos esse cuidado de limitar a quantidade das peças e produzimos apenas um modelo para cada numeração, que vai do PP ao GG +”.

A marca que traz em suas coleções peças despojadas, com tecidos diferenciados, shapes modernos e arrojados teve seu conceito idealizado após Maria Clara observar um típico comportamento feminino na hora de se vestir para um compromisso.

Que levante a mão a mulher que nunca disse a seguinte frase encarando o guarda-roupas: “Eu não tenho roupa”. Pois é, a empresária também não poderia levantar a mão. Foi assim, ao notar o comportamento de consumo das amigas e o dela própria que observou a necessidade do mercado.

“Sempre que eu e minhas amigas queríamos uma roupa diferente íamos para alguma cidade como Prudente, Marília ou Maringá. Não conseguia encontrar com frequência aqui no interior peças que expressassem a minha personalidade. Então quando começamos a idealizar como seriam as peças da Clariá sabia que queria algo com estilo, com informação de moda, tendências que normalmente chegam primeiro em cidades maiores. Queria que essas tendências também estivessem presentes no interior”.

Mas de onde surgiu o interesse da jovem em ter o próprio negócio? Fizemos essa pergunta a Maria Clara esperando a resposta convencional, de que o interesse havia brotado no momento da escolha da faculdade, mas a resposta veio enfática.

 

“A ideia de ter uma marca sempre existiu na minha vida, até na infância eu brincava de ter uma loja”.

“De um sonho que tenho desde a infância”. A Clariá segundo ela é a concretização de um desejo que tinha desde criança: ter uma marca. A empresária explica que sempre desejou ter o próprio negócio e que não tinha dúvidas de que esse seria seu trabalho.

“A ideia de ter uma marca sempre existiu na minha vida, até na infância eu brincava de ter uma loja. Conforme crescia fui entendendo o caminho que deveria seguir para alcançar meu objetivo, mas sempre soube que teria uma marca”.

Ter o próprio negócio é um desejo comum entre os jovens, uma vez que esta é uma prática onde podem encontrar o caminho para uma vida profissional mais satisfatória, e por ser uma alternativa para que trabalhem com o que gostam.

Vale ressaltar que no ano de 2017, de acordo com o programa de pesquisa global GEM, a taxa total de empreendedorismo no Brasil foi de 36,4%. Isso significa que de cada 100 brasileiros adultos, 36 conduzem alguma atividade empreendedora, quer seja no aperfeiçoamento ou criação de um novo negócio. O tema empreender é assunto presente na família de Maria Clara, segundo ela, seus pais José Romão Silva e Lucilene Paloni que trabalham no ramo de confecção e comércio há mais de 30 anos, sempre estimularam os filhos a trabalhar com o que sonhavam.

“Tivemos uma educação empreendedora, observava os meus pais trabalhando duro, algo que admiro, e percebia que o trabalho dava resultados. Eles ensinaram a mim e aos meus irmãos a lutar pelos nossos sonhos. Em casa o trabalho faz parte das nossas conversas de todos os dias e sem dúvidas o crescimento profissional é um assunto entre nós”.

A escolha da faculdade de acordo com Maria foi um passo muito importante para concretizar o desejo de ter uma empresa. Quando chegou o momento de optar por um curso ela diz que teve certo receio, pois não sabia se a ideia de cursar moda e morar fora de Adamantina seria bem aceita pela família.

“Eu até cogitei estudar publicidade em Adamantina e depois me especializar para ter minha marca, mas quando contei para minha família que minha intensão era fazer uma faculdade de moda eles logo apoiaram”.

Foi quando cursava o segundo ano da faculdade, em 2015, que a ideia de ter a própria empresa começou a ganhar vida. “Meu pai foi quem tomou a iniciativa, ele me chamou para conversar e disse que já era a hora de estudar algumas ideias para abrir as lojas. Neste momento eu estava no segundo ano do curso de moda e vivendo em Maringá. A princípio levei um susto, porque tinha que pensar em toda a logística e no fato de estar longe de Adamantina, onde resolvemos abrir a primeira loja, mas topei o desafio e comecei com as pesquisas ”, conta.

A primeira Clariá foi inaugurada em Adamantina, em agosto de 2016, após um ano de planejamentos, estudos, buscas por fornecedores, mão de obra qualificada e por fim a produção da primeira coleção. “Foi um ano intenso, de muito trabalho, mas analisando tudo conseguimos tirar a ideia do papel bem rápido. Em 2015 começamos a planejar, e logo em agosto de 2016 abrimos a primeira loja”.

Para a jovem o segredo do sucesso está no bom planejamento. “Tem que colocar tudo no papel, fazer contas, estipular prazos. E, além disso, é preciso definir um público porque se você começa a fazer algo sem saber para quem está fazendo, o seu produto não vai alcançar ninguém. Tem que ter foco e o planejamento é tudo”, conclui.

A empresa atualmente gera mais de 40 empregos, distribuídos entre costureiras, vendedores, modelista, estilista, gerentes, enfim, toda a equipe necessária para tocar um negócio deste porte.

A rede têm quatro lojas em funcionamento nas cidades de Adamantina, Dracena, Araçatuba e Tupã. “Este ano vamos inaugurar a quinta loja”, assegura Maria, sem contar qual será a próxima cidade a receber uma unidade Clariá.

Maila Alves
Maila Alves

Editora/Jornalista

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