A vez das bicicletas

Seja paixão desenvolvida desde a infância ou prática abandonada naquela época, a verdade é que muitas pessoas estão voltando a andar de bicicleta. Em Adamantina, no último ano, um grupo se organizou para levar a sério uma atividade que durante tempos foi considerada “coisa de criança”.


Depois de parar de fumar e ganhar em dois meses cerca de nove quilos, o empresário Daniel Bocardi resolveu se exercitar. Mas a bike não foi sua primeira escolha. Depois de uma tentativa frustrada na “corrida” devido a uma série de dores que ganhou com a atividade, a bike surgiu como opção.
“Tentei a corrida e por quatro meses foi o meu esporte escolhido. O peso abaixou, mas não me encantou. Como vivi muitos anos sedentário, comecei a ter lesões no joelho e nas costas, pelo alto impacto do esporte. Até que chegou uma hora que tive que parar porque já não agüentava mais as dores. Passado um mês, andando por Adamantina, o trânsito parou e quando olhei para o lado, vi várias bicicletas. Pensei comigo: será?! Parei o carro e dali já fui comprar uma bicicleta para ser entregue a tardezinha”, conta.

Mas o início foi mais difícil do que o novo atleta imaginava. “Pensei comigo: já estava correndo de uma hora a uma hora e meia. Sou praticamente um esportista. Com a bicicleta em casa, coloquei eufórico um tênis e uma bermuda e falei – vamos pedalar! Pedalei quatro quarteirões e liguei para o vendedor da bike com as seguintes palavras: ‘Vem buscar esse troço aqui que nem pra casa consigo voltar!’”, se diverte ao contar.

Depois de ser convencido a ter paciência e a pedalar um pouco por dia, Bocardi entrou no ritmo e conheceu um grupo que pedalava nos finais de tarde. “Não tenho pretensão de ser atleta. Procuro um nível satisfatório para mim, um desafio, e estou adorando. Acordo direto às 5h30 para me alimentar e pedalar. Sinto que evoluo a cada dia. E todos os meus amigos já sabem e me dão forças para continuar”, diz.

O primeiro desafio foi percorrer do Parque dos Pioneiros ao bairro Tupãzinho, trecho de aproximadamente 32 km. Depois ele foi até Osvaldo Cruz (48 km), Parapuã (66 km) e participou do desafio de Marília a Adamantina. “Mas como sou iniciante, neste de Marília a Adamantina resolvi esperá-los em Tupã para chegar até aqui”.

“Com a conscientização sobre a importância da atividade física, mais pessoas têm buscado a bicicleta, já que esta traz poucos problemas, como o impacto causado pela caminhada ou corrida”,Neto Bechara

Bocardi participou ainda de um campeonato em Dracena com o objetivo de ganhar experiência e conhecer melhor o mundo do ciclismo. “Cheguei em sétimo na minha categoria e fiquei feliz. Sei que na próxima estarei entre os cinco, e por aí vai. É sempre uma evolução”.
Apaixonado por esportes e competidor há mais de 20 anos, Neto Bechara tem dado o ritmo para a turma que resolveu se aventurar em duas rodas. Ele que é ciclista, triatleta e já participou de importantes competições, diz que nunca ganhou dinheiro com o esporte e por este motivo a “bike” sempre foi um hobby.


“Comecei a andar de bike aos 10 anos, quando ganhei uma Monark 10. Aos 15 anos participei do meu primeiro Triatlo em Ilha Solteira e venci na minha categoria, o que me deixou mais animado e me motivou a buscar provas fora. Desde então não parei mais”, conta.
O adamantinense promove eventos há 21 anos e já tem catalogado 37. “Com a conscientização sobre a importância da atividade física, mais pessoas buscam a bicicleta, já que esta traz poucos problemas, como o impacto causado pela caminhada ou corrida”, explica.
Ele conta que o grupo, hoje chamado de “Galera do Pedal”, começou a surgir em Adamantina quando o pessoal que fazia trilhas com motos procurou na bike um meio para conseguir condicionamento físico. Neto foi convidado, pela experiência, a fazer parte e a direcionar os treinamentos.
“Começamos a introduzir passeios, eventos, competições e confraternizações que estimularam as pessoas que já pedalaram em alguma fase da vida, a voltar. Os novos se sentiram interessados e ganhamos cada vez mais adeptos. Hoje somos de 10 a 15 pessoas por treino”, diz.
Neto é formado em Educação Física e tem mestrado em Performance Humana e especialização em Fisiologia do Exercício, o que deu a ele condições de, não apenas repassar treinos específicos, mas também montar bicicletas sob medida para cada atleta.
“Muitos começavam a pedalar e paravam pois sentiam dores nas costas e em outras partes do corpo por não terem uma bike adequada ao tamanho deles. Comecei inclusive a assessorar nesta parte depois que montei meu estúdio”, conta.
O educador físico não entrou no grupo sozinho. Junto participam dos passeios sua esposa Fabiana e os filhos Lucas (12) e Bruno (7). Ele, que atualmente faz parte da equipe permanente de ciclismo que disputa os Jogos Regionais, afirma não ter idade para aderir a atividade. “São necessários vontade e determinação”.
Apaixonado por bikes desde criança, Gilberto Bosso nunca deixou de pedalar. Um dos pioneiros no grupo “Galera do Pedal”, ele conta que embora pedalasse desde criança, começou a praticar a atividade com mais intensidade recentemente.
“Como sempre pedalei, alguns amigos foram vendo e acompanhando. Um fala para outro e assim por diante. As pedaladas foram ficando freqüentes e o grupo maior. Optamos então por ter em dois dias da semana treinos com mais intensidade, outro dois dias com a família e um treino leve, passeando pela cidade”, conta.
Entre os integrantes, cada um tem uma meta diferente. “Temos pessoas de várias idades, cada uma com um objetivo. Muitos querem alcançar o peso ideal, outros participam de competições regionais e desafios de longa distância. Estamos abertos para todos”.
Entre os benefícios alcançados com o ciclismo, Bosso destaca que não apenas seu corpo e seu condicionamento melhoraram, mas também o lado psicológico. “Sinto-me com mais disposição, mais energia para as atividades diárias”, finaliza.

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