As damas do truco – alegrias, encontros e parcerias


Quem conhece Regina, Silveli, Marta, Marilza, Cícera, Vera, Terezinha, Gabriela, Isabela, Fabrícia, Adriana, Rose, Bruna, Billy, Marli, Luciana e Cris sabe que de quarta-feira elas têm um compromisso muito importante. Se engana quem acha que é com a família, estudos e até mesmo com cabeleireiro, por exemplo. Elas se reúnem para jogar truco.

Isso mesmo! Semanalmente as “Damas do Truco” – como denominam o grupo – se encontram para um jogo tradicionalmente masculino. Elas deixam o preconceito de lado e trazem todo o charme feminino para a partida de cartas.

Esta história inusitada começou há mais de 30 anos. Amigas de tempo de escola, as meninas jogavam vôlei para o time de veteranas de Adamantina. Certo dia, em um churrasco na casa de uma delas, quatro se reuniram e resolveram jogar truco, iniciando o grupo.

“No começo ninguém sabia jogar direito, não havia malícia, tinha gente que gritava truco, 20… Imagine a loucura que era! Adesões foram surgindo a cada encontro e hoje, após 30 anos, temos um grupo de fazer inveja para qualquer jogador de truco e garantimos: não temos receio de enfrentar ninguém”, brinca Silveli.


Sem a presença masculina, atualmente 18 mulheres de Adamantina, Osvaldo Cruz e Sagres fazem parte do seleto grupo, que se encontra semanalmente para jogar e partilhar as histórias de vida. “Jogamos, rimos, nos divertimos a cada semana. Participamos dos problemas e das alegrias de cada família envolvida no grupo”, enfatiza Vera.

“Jogamos, rimos, nos divertimos a cada semana. Participamos dos problemas e das alegrias de cada família envolvida no grupo”.

As cartas são as protagonistas dos encontros. Porém, sempre a dama que recepciona as amigas oferece um jantar e, como de praxe às quartas-feiras, partidas de futebol complementam a “reunião”. “Procuramos manter a união, o respeito, a solidariedade e uma convivência sempre agradável. Estas características sobressaem sobre qualquer desentendimento que possa ocorrer durante as partidas”, diz Regina.

Esta parceria entre as damas já resultou em histórias incríveis, como a preparação do casamento de uma das integrantes. “Uma das meninas iria se casar, mas sem festa. Claro que não deixaríamos isso acontecer! Nos reunimos e preparamos toda a festividade, desde a comida até a cerimônia, passando pela decoração e mimos aos convidados. Foi um grande acontecimento. Mais do que uma festa, foi exemplo de união do grupo e solidariedade entre nós”, relembra Terezinha.

Durante as três décadas, muitas outras meninas integraram o grupo, como Paula, Selma, Liza, Ida, Neuza, Cinira e Melissa. Mesmo morando em outras cidades, elas mantêm a união com as “Damas” e se reúnem todo o final do ano em uma confraternização para jogar aquela partidinha de truco. “No decorrer destes anos as filhas de muitas companheiras fizeram parte do grupo.

Mas, com o casamento e consequente mudança de cidade, se afastaram do nosso convívio, como ocorreu com outras amigas que nos deixaram. Porém, sempre que possível em nossa festa de final de ano elas aparecem para comemorar e a confraternização fica ainda mais bonita com a participação de toda a família das damas”.

Formado por mulheres com profissões e vidas diversas, o gosto pelas cartas às unem, o que torna o grupo único. “A idade das meninas da turma varia de 25 a quase 70 anos. Isso é o máximo, nos torna um grupo incomparável. Temos idade de neta a avó vivendo ideologias e problemas diferentes, enfim, mundos interiores completamente distintos”, destaca Marta.

E, essa unidade, é considerada a principal marca das meninas truqueiras. “Mais do que jogar truco, somos uma família, que partilhamos e participamos da história de cada uma. E essa unidade é a principal característica nossa. Que venham outros 30 anos, de novas e sinceras amizades”, finaliza Marli.

VOX
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