As expressões que trazem vida a Adamantina

O jovem artista Marcos Vinícius utiliza uma das formas de expressão do hip hop – movimento cultural iniciado no final da década de 1960 nos Estados Unidos como forma de reação aos conflitos sociais e à violência sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana – para dar vida a diversos espaços de Adamantina e região. Por meio do grafite, seus traços conquistam os olhares mais atentos com reproduções de ícones brasileiros e internacionais.

 

Ao chegarmos à casa de Marcos Vinícius, que fica aos fundos da escola Fleurides Cavallini Menechino, em Adamantina, nos deparamos com a reprodução de dois ícones brasileiros – Ayrton Senna e Carmen Miranda. As obras de arte, estampadas nas paredes da unidade escolar, chamam a atenção dos olhares mais atentos pela fidelidade dos traços, pelas cores chamativas e pela complexidade dos desenhos.

Inspirado em ícones do grafite, como os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (conhecidos como Os Gêmeos) e Eduardo Kobra, o jovem adamantinense, de 26 anos, leva a diversos espaços da cidade e região criações coloridas repletas de referências culturais e urbanas.
Apesar de aderir ao grafite há pouco tempo, a história de Marcos Vinícius com a arte começou ainda pequeno. Desde os seis anos, relembra o artista, os traços e as cores já faziam parte do seu cotidiano. Enquanto a pintura para muitos era uma diversão de criança, para ele uma forma de expressão de sentimentos, emoções e valores.

Nas aulas de educação artística, os professores enxergavam o seu talento e o incentivavam a aprimorar a técnica. “Desde pequeno gostava de desenhar. Era o meu momento, me trazia paz e tranquilidade. Desenhava o que meus amigos e colegas de sala pediam, e isso me fazia bem”, relembra. “Tinha um professor, o Genaro, que sempre me incentivou, na escola e depois na faculdade”.

Ciente da sua vocação, Marcos Vinícius também sabia que a habilidade para os traços finos poderia lhe trazer um futuro promissor. Ele optou por cursar Desenho Industrial. Nesta época, transformava fotos em obras de artes, dando os primeiros passos para o trabalho profissional. “O dinheiro que cobrava pelas reproduções guardava e aos poucos fui adquirindo diversos equipamentos, que hoje utilizo no grafite”, diz.

“Não é apenas uma reprodução de imagens, e sim de sentimentos e culturas”.

Primeiro foi o compressor, em seguida, a pistola. Aos poucos o grafiteiro investiu para que sua arte não ficasse apenas entre conhecidos, mas, também, trouxesse vida para diversos cantos e espaços urbanos.

Foi quando um amigo lhe propôs um desafio: reproduzir a imagem de Frida Kahlo em uma parede de sua residência. A mexicana, ícone da pintura e das fotografias, se destacou por ser uma artista singular.

É este excentrismo que Marcos Vinícius busca em suas produções artísticas. “Tenho como referência diversos artistas, que marcam suas épocas, como o Kobra e Os Gêmeos – artistas nacionais reconhecidos em todo o mundo. Porém, busco colocar minha particularidade, minha visão sobre as produções. É algo que ainda é um desafio, tornar mais explícito o meu estilo. Aos poucos em minhas obras isso fica evidente, não é apenas uma reprodução de imagens, e sim de sentimentos e culturas”, enfatiza.

Logo após o primeiro trabalho outras oportunidades foram surgindo. Por diversas partes da região é possível apreciar os traços de Marcos Vinícius. “A produção não é simples. Tenho que desenhar no papel, esquadrejar, para depois reproduzir nas paredes e pintar”, explica. O desenho de Carmem Miranda, por exemplo, tem mais de quatro metros de altura.

“Tem gente que chega e fala: você deveria pichar meu muro. Não é pichar, é grafite. Pichação não é arte, é vandalismo. Já o grafite é forma de expressão cultural, uma manifestação artística”.

Para a pintura, Marcos Vinícius utiliza tinta automotiva. “É mais fácil encontrar, diluir e rende mais, além de possibilitar a mistura para criação de novas cores”, diz.
Depois de pronto o resultado é uma obra de arte, não pichação como muitos dizem. “Tem gente que chega e fala: você deveria pichar meu muro. Não é pichar, é grafite. Pichação não é arte, é vandalismo. Já o grafite é forma de expressão cultural, uma manifestação artística. E é gratificante quando reconhecem isso, reconhecem o simbolismo cultural por trás daquela obra, os personagens que foram reconhecidos. Isso motiva ainda mais a me engajar, a me dedicar a este trabalho que expressa a minha vida”.

João Vinícius

Jornalista

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