As loucuras pelo time do coração

Corinthians – Porque o amor pelo time é passado a cada geração
Que o bioquímico José Pedro Ruete é corintiano não é segredo para ninguém. Mas poucos sabem como surgiu essa paixão.
Neto de corintianos (um de seus avós participou da fundação do Corinthians), Ruete conta como foi assistir pela primeira vez um jogo do Corinthians no Pacaembu. “Me lembro de pegar uma lotação com meu avô, vestido de terno e chapéu, e chegar ao estádio, sentar nas cadeiras de couro, e assistir ao clássico Corinthians e Palmeiras. Eu tinha mais ou menos uns 10 anos. Foi um passeio diferente, onde tudo começou”, conta com orgulho.
“Nasci em 1955. O Corinthians tinha sido campeão em 1954 e só foi ganhar um título novamente em 1977. Mas acompanhávamos o time. Estávamos contentes com a garra dos jogadores. Queríamos isso, apaixonados”, afirma.
Sócio do clube aos 14 anos, Ruete conta que ia aos jogos de ônibus, com torcedores de outros times, sem brigas ou confusões. “Foi nesse período que vi Garrincha, Rivelino e tantos outros grandes jogadores em campo. Um episódio marcante foi a ‘Invasão corintiana no Maracanã’, em 1976. Fomos de São Paulo ao Rio em seis homens em um Opala. E não fomos sozinhos. Na via Dutra percebemos que era uma caranava corintiana. Foi inesquecível”.
Em 1977, quando o Corinthians foi campeão paulista depois de mais de 20 anos, Ruete assistiu a todos os jogos. “Matávamos aula da faculdade e íamos ao estádio acompanhar os jogos. E ir ao estádio significava sentar ao lado de outros torcedores, de times rivais, algumas vezes xingar, torcer, gritar, extravasar realmente e conseguir voltar pra casa de ônibus, tranquilamente. No estádio eram todos iguais, apenas torcedores apaixonados por seus times”, conta.

No estádio eram todos iguais, apenas torcedores apaixonados por seus times”, Pedro Ruete

Sobre como a paixão pelo time contagiou toda a família, Ruete afirma que sua esposa Regina e seus dois filhos, Éder e Pedro Henrique, são corintianos, mas diferentes. “O Pedro Henrique torce, mas não é como o Éder. Este gosta mais de esporte, compete e acompanha mais de perto o time”, conta.
Uma curiosidade da família Ruete é a quantidade de camisetas do Corinthians que colecionam. Segundo Éder, eram mais de 100 camisas, mas algumas foram doadas e outras já viraram quadros.
Outra demonstração de paixão pelo time é o jogo organizado por eles, sempre no final do ano, chamado de “Corinthians contra o resto do mundo”. Eles convocam os amigos para uma partida entre amigos corintianos (que são a grande maioria) contra torcedores de outros times, sem árbitro, e com churrasco de confraternização. O corintiano Sócrates foi convidado antes de falecer para participar da partida.
“Esporte pra gente é respeito, disciplina. Torcemos para nós, nunca contra o outro”, finaliza.
São Paulo – Porque vale tudo para assistir a um jogo
O despachante Carlinhos Bibi conta que, de família toda sãopaulina, fica de mau humor quando o São Paulo perde. “Até a comida que minha mulher faz não fica boa. Fico mau humorado mesmo”.
Entre as tantas “aventuras” para acompanhar os jogos do São Paulo, Carlinhos conta que em 1986, chegou a dormir embaixo de uma marquise na capital, só para poder chegar ao jogo.
“Fui assistir a um jogo do São Paulo contra o Guarani. Era a estréia do Falcão. Na época peguei a minha Honda Turuna e fui para São Paulo, sem conhecer nada na cidade. Como diziam que era perigoso, tinha muito medo que roubassem minha moto. Quando fui dormir debaixo da marquise, amarrei com uma corda a moto no meu pé. Assim eu saberia se alguém tentasse roubar. E eu achava que estava seguro. Felizmente nada aconteceu comigo e o São Paulo venceu por 2 a 0”.
Outro episódio curioso do torcedor foi em um jogo na década de 90 em Araçatuba. Ele e seus amigos foram até o estádio, mas Carlinhos resolveu ficar do lado de fora para acompanhar a chegada do ônibus e tentar chegar perto de algum dos ídolos.
Além de não ter visto nenhum dos jogadores, Carlinhos foi impedido de entrar no estádio pois já havia atingido a capacidade do local. “O resultado foi ter que esperar do lado de fora pelos amigos com ingresso na mão e depois ter que escutar deles os melhores momentos da partida”, se diverte.
Mais recentemente Bibi foi até Presidente Prudente acompanhar o clássico São Paulo e Corinthians. Almoçando em um dos shoppings da cidade, o sãopaulino uniformizado foi surpreendido pela torcida da Gaviões da Fiel que resolveu almoçar no mesmo local. Com medo de qualquer confusão, Carlinhos correu para o banheiro, onde tirou a camisa, e saiu de fininho do shopping, sem pagar o almoço. Tudo isso para evitar o confronto com a torcida rival e com o aval de um garçom.
Palmeiras – Porque até o próprio nome é uma homenagem ao time do coração
Palmeirense assumido e conhecido por essa paixão pelos amigos, o empresário Jair Ferrari já nasceu palmeirense. Seu nome foi uma homenagem ao jogador Jair da Rosa Pinto, destaque no mundialito de 1951 quando o Palmeiras foi campeão.
De família com descendência italiana, a paixão pelo time é compartilhada por todos. Entre os principais ídolos estão Ademir da Guia, que Jair teve a oportunidade de conhecer depois que o jogador se aposentou em uma rápida visita a Adamantina, e o goleiro Marcos, com quem esteve no Parque Antártica e teve a oportunidade de conversar. “O Marcos é o verdadeiro ídolo. Ele é simples, simpático, brinca, atende todo mundo que quer tirar uma foto com ele ou pegar um autógrafo. Foi um encontro inesquecível”, afirma.
E como não poderia ser diferente, seu jogo inesquecível foi uma vitória contra o rival Corinthians, em 1993. “Fazia 16 anos que o Palmeiras não vencia esta competição. Eu estive no estádio em São Paulo e acompanhei o Palmeiras ser campeão em cima do Corinthians”. A camiseta usada pelo time em 1993 também é a favorita do torcedor entre as mais de 50 que ele coleciona.
Recentemente Jair esteve em São Paulo acompanhando as obras do Centro de Treinamento do Palmeiras ao lado do filho Felipe e dos amigos Paulo e Evandro Belluci. “O adamantinense Edvaldo Frasson, atual vice-presidente do Palmeiras, foi quem abriu as portas para gente poder conhecer aquele que será o melhor estádio. Foi bem bacana poder conhecer o local. Conversamos com muita gente e ainda tiramos fotos no local”, diz.
Sobre seu maior desejo, Jair afirma que gostaria de ver o time campeão do mundo. “Já fomos campeão do mundo uma vez, mas o título não foi reconhecido”. E para finalizar, o palmeirense escala o time dos sonhos. “O meu time do Palmeiras teria Leão no gol, Luis Pereira como central, Eurico como lateral, na lateral esquerda o Alfredo, Dudu, Ademir e Djalminha no meio campo, Evair, César Maluco, Nei na ponta esquerda e Julinho na ponta direita. Este seria o time ideal”.

POR NATÁLIA BACHI    À    FOTOS MAILA ALVES

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