Jovens na igreja, uma geração de evangelizadores

Um movimento, que iniciou tímido em Adamantina, vem se destacando devido à adesão de centenas de jovens. Com a proposta de promover um encontro pessoal com Deus, o acampamento forma uma nova geração de evangelizadores e de jovens comprometidos com a Igreja. Porém, o acampamento nasceu com um objetivo diferente do atual: ser um movimento religioso.

Preconcebido nos Estados Unidos, o acampamento era ministrado a executivos com a finalidade de desenvolver e aprimorar o sentido de equipe nas empresas. Durante uma semana, eles eram afastados do ambiente de trabalho e agrupados em equipes, sendo propostos desafios, que superados ou não contribuíam para a vida pessoal de cada um, visando à melhora do relacionamento entre os funcionários, desenvolvendo o lado humano, aumentando assim o lucro das empresas.

“Apesar de ter crescido dentro da igreja, e de sempre participar de missas e outros movimentos com a minha família, me sentia afastada de Deus”.

A igreja católica do México, na figura do teólogo J.H. Prado Flores, adaptou e espiritualizou estes retiros e iniciou um novo trabalho de evangelização, a partir de apelo do Papa João Paulo II, passando a utilizar estes acampamentos no resgate de jovens com alguma situação difícil vivenciada, como solidão, estresses, angústia, depressão, dependências químicas e conflitos familiares, sexuais e matrimoniais, entre outros.

Em 1.991, o acampamento chegou ao Brasil. O primeiro retiro aconteceu com representantes de vários Estados, propagando o movimento em diversas partes do país, como Porto Alegre, Maringá, Goiânia, Presidente Prudente, Franca, Uberlândia, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Em Adamantina, o acampamento começou há poucos anos, porém já se destaca como um dos principais movimentos de evangelização de jovens.

Mudança de vida
Quem vê dezenas de jovens entrando na igreja correndo, dançando e cantando, com camisetas coloridas e o discurso comum que viveram os melhores dias de suas vidas não imagina a mudança profunda que é proposta pelo acampamento.

Em três, quatro ou cinco dias – de acordo com cada modalidade -, eles têm um encontro profundo com Deus, consigo mesmo e com o próximo, vivendo uma experiência com o Amor pregado e ensinado por Jesus, que é o próprio amor, produzindo frutos verdadeiros de conversão.

Jéssica Pereira Cardoso, de 26 anos, é exemplo desta mudança de vida. Ela fez o Acampamento Juvenil em 2.014, em Presidente Prudente, em um momento de dificuldades. “Apesar de ter crescido dentro da igreja, e de sempre participar de missas e outros movimentos com a minha família, me sentia afastada de Deus. Então, sou muito grata por ter sido convidada a participar do acampamento, pois foi lá que reencontrei Deus, foi um momento inesquecível em minha vida. E isso me tornou uma pessoa mais confiante, amorosa, paciente e, principalmente, mudou a minha visão em relação ao próximo”, diz.

“O acampamento me colocou ainda mais perto de minha família, me ensinou a ter mais discernimento para as coisas da vida em geral, ser mais paciente, ouvir mais, entender o lado das pessoas e ter uma vontade enorme de cada vez mais me abastecer desse Amor de Deus”.

E, desde então, ela vem se dedicando a evangelização de outros jovens. “Os jovens que servem ao acampamento acabam se tornando espelho para outros. Pois, aqueles que ainda não participaram vêem a mudança que o acampamento trouxe na vida daqueles que estão trabalhando. Isso acaba motivando o jovem a participar e buscar uma vida em Cristo”, comenta.

Porém, antes de fazer a diferença na vida de outros jovens, Jéssica foi exemplo em sua própria casa. No ano seguinte, seu marido – o cantor e compositor Tiago Marcelo, de 32 anos – teve o seu encontro com Deus. “O acampamento me colocou ainda mais perto de minha família, me ensinou a ter mais discernimento para as coisas da vida, ser mais paciente, ouvir mais, entender o lado das pessoas e ter uma vontade enorme de cada vez mais me abastecer desse Amor de Deus”.

Tiago, que sempre participou das missas e corais, agora coloca seus dons a serviço do próximo. “O meu servir é uma simples forma de gratidão a Deus por tudo que me deu na vida, paz, saúde, uma família linda e uma profissão maravilhosa que é a música. Agora, me faço mais presente não só nas missas, mas também no servir no acampamento e em eventos beneficentes para ajudar entidades e pessoas mais necessitadas. Sei que tenho pouco a oferecer a Deus, mas entrego meu coração em todos os acampamentos que sirvo”.

Jovens comprometidos com a Igreja
Outra jovem que assumiu seu papel na Igreja após o acampamento foi Tais Sartori, de 25 anos. Ela teve sua experiência em 2.013, e desde então serve na obra, é Ministra da Eucaristia e agora coordena o grupo de oração Jovens do Céu. “O acampamento foi fundamental, pois me motivou a cada vez mais servir em minha Paróquia e a Jesus.

Hoje, estou à frente de vários movimentos, mas o que sempre peço a Deus é que me dê o dom da humildade para que eu sempre diminua e que Jesus cresça”, comenta Tais, que destaca ainda: “o que me motiva a tudo isso é o amor que Deus tem por mim e sinto no dever de retribuir este Amor que um dia tive a oportunidade de conhecer”.

Em Adamantina, na Paróquia Santo Antônio, existem três modalidades de acampamento: de Crisma (voltado para crismandos), Joam – Jovens e Adolescentes Em Missão (de 15 a 18 anos) e o Juvenil/Sênior (19 anos e acima).

João Victor Beloto, de 18 anos, fez o Joam em 2.015. “Após o acampamento mudei meu comportamento, meu amor ao próximo, a minha responsabilidade, além de ter mais vontade de servir a Deus. Participo do acampamento e também do grupo de jovens. Além de ser uma obra de Deus, é muito importante para os jovens, pois transmite muita alegria e compaixão para com todos”, enfatiza.

Na Diocese de Marília, paróquias de Flórida Paulista, Pacaembu, Dracena, Junqueirópolis, Osvaldo Cruz, Ouro Verde, Herculândia, Pompéia e Marília também têm o movimento. Neste ano em Adamantina, além da Santo Antônio, a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima realizará acampamentos no novo centro de evangelização, no bairro do Tupãzinho.

André Fukushima Fagundes, de 23 anos, participou do acampamento de Pompéia, em 2.014, mas, agora, serve em Adamantina. “O acampamento tem participantes de diversas cidades, culturas, vivencias diferentes, o que promove uma troca de experiências enriquecedoras entre os campistas. Já, em relação ao meu acampamento, conheci o amor de Deus que nunca pensei que sentiria, sem medida, que nos ama apesar de nossos pecados, nossas diferenças.

No acampamento também aprendi que devo ser grato sempre a Deus pela minha vida, às vezes reclamava de coisas pequenas, sendo que tenho que agradecer por tudo que Deus vem me concedendo”.

Ele, que trabalha na evangelização de outros jovens, também foi exemplo para a namorada, Bruna Larissa, que realizou seu acampamento em 2.016. “O acampamento é uma ótima oportunidade pra se reencontrar, buscar o amor de Deus e entender todo este amor. Todos deveriam ter essa experiência, ter um encontro pessoal com Deus. Lá, tudo acontece de forma simples e incrível, nas coisas mais simples é que somos surpreendidos.

Sou grata por servir e fazer parte desta obra e por viver esta experiência que é maravilhosa. Além de sentir todo o amor de Deus, o acampamento faz com que nos aproximamos de pessoas que buscam e tem o mesmo objetivo que você”.
Em 2.018, o Acampamento Juvenil da Paróquia Santo Antônio acontece de 9 a 13 de fevereiro, o de Crisma em abril e o Joam, no mês de novembro.

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