Lendo os rótulos dos vinhos

Escolher um vinho numa prateleira abarrotada de garrafas diferentes de tipos diferentes não é uma tarefa fácil, mas saber ler o rótulo certamente auxiliará bastante. Contudo, isso também não é uma tarefa descomplicada.

Ocorre que não há um padrão internacional e assim cada país ou cada produtor rotula as garrafas da maneira que melhor lhe convier.

Uma das primeiras coisas a se ler no rótulo é o nome do produtor. Assim, em tese, se você sabe que a vinícola é famosa já terá meio caminho andado. Contudo, isso não é o bastante, pois uma mesma vinícola pode produzir vinhos de diferente qualidade. Nos vinhos franceses, por exemplo, o nome do produtor pode ser a garantia de um bom produto.

Mas como é quase impossível, mesmo para os especialistas, saber o nome de todos os bons produtores, uma informação importante é a classificação. Os vinhos franceses que ostentam a sigla AOC ou AC (Appellation d’Origene Protegé) indicam que o vinho foi fito em uma determinada região e de acordo com padrões de qualidade específico.

Já na Itália, adota-se outro critério, que é o da região produtora, por exemplo: o Chiante é da Toscana, o Barolo e o Barbaresco são do Piemonte, Amarone, Valpolicella e Bardolino são do Vêneto, etc.

Um vinho espanhol que estampa em seu rótulo a sigla DOC, a exemplo dos franceses, indica que foi produzido em uma região que adota certos padrões de qualidade. Portugal segue o sistema adotado pela França e os vinhos com Denominação de Origem Controlada (DOC) é a categoria mais elevada.

Porém, os vinhos produzidos no Novo Mundo não adotam essa sistemática, por isso os dizeres “Reserva”, “Reserva da Família”, “Reservado”, por exemplo, são indicações imprecisas. Isso porque em países como o Brasil, Chile e Argentina não há uma legislação específica sobre a classificação.

Outra informação importante a ser visualizada no rótulo é a casta de uva utilizada para sua produção: malbec, cabernet sauvignon, merlot, por exemplo. Assim o consumidor poderá comprar aquele que mais agrada o seu paladar ou que harmonizará com um determinado prato.

Mas nem todos os vinhos são produzidos com uma única casta, haja vista que há vinhos que resultam da mistura de várias castas (assunto abordado na coluna da semana passada).

Ademais, vinhos como os franceses normalmente sequer trazem no rótulo a informação sobre o tipo de uva, de modo que somente os mais entendidos saberão que um vinho produzido na região de Bordeaux terá por predominância a cabernet sauvignon ou a merlot e na região da Borgonha, a pinot noir.

Muita gente se orienta pela safra, mas nem todos os vinhos são safrados. Aquela velha premissa de que quanto mais velha a safra, melhor será o vinho, é falsa, já que a maioria dos vinhos colocados nas prateleiras das lojas foram feitos para serem bebidos jovens, de forma que um desses vinhos de safra antiga pode se encontrar deteriorado.

Normalmente os vinhos que foram feitos para serem guardados são aqueles que passaram longo tempo em barris de madeira.

Os rótulos (ou contrarrótulos) também trazem a informação sobre o teor alcoólico e podem estampar o estilo do vinho, detalhes de engarrafamento, e, às vezes, dicas sobre harmonização e temperatura ideal de serviço.

Silvio Grabosky
Silvio Grabosky

Apreciador de Vinhos

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