Millennials

Quem são, onde vivem e como pensam

Também conhecidos por geração Y, os Millennials se encontram hoje em um estágio do ciclo de vida que muito interessa às empresas: estão ganhando relevância no mercado de trabalho, adquirindo poder de consumo e contribuindo com inovações.

 

As gerações são moldadas pelas características do contexto histórico em que são inseridas e cada geração fica marcada por um comportamento específico. Apesar de algumas divergências sobre o recorte exato das idades entre uma geração e outra, existe um consenso mundial a respeito da existência de quatro delas: Baby Boomers (1945-1964), X (1965-1984), Y (ou millennials) e Z os nascidos após os anos 2000.

Um estudo nacional para traçar o comportamento do consumidor brasileiro realizado pela REDS e pelo Centro de Inteligência Padrão (CIP) aponta que os millennials são as pessoas nascidas de 1985 até os anos 1999.

Os millennials devem atingir seu auge em 2020 e isso significa que eles serão a maioria no mercado de trabalho.

Entender a forma de pensar e consumir das gerações é fundamental para a sobrevivência das marcas e empresas. É preciso saber como conquistar e fidelizar um público e para isso é preciso conhecer a fundo seus gostos, hábitos e exigências.

A geração Y nasceu em um contexto histórico de grande relevância, e se desenvolveu numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Esse grupo demográfico presenciou uma das maiores conquistas e revoluções da história da humanidade: a Internet.

Com o tempo a cultura de compra e as técnicas e metodologias de vendas vão se adaptando e renovando ao passo em que a sociedade se desenvolve. E a forma de “comunicar” para uma geração que nasceu conectada sofreu muitas mudanças.
Estudos mostram que essa geração é empreendedora, prioriza a qualidade de vida, valoriza a autenticidade e precisa confiar nas plataformas antes até de lerem o que é produzido. Esse é um dos motivos de vermos grandes redes de TV e plataformas online fazendo o possível para renovar sua maneira de comunicar.

Além disso, para contratá-los para o mercado de trabalho formal é importante saber que a grande maioria deste grupo procura por mais do que um simples emprego. Eles desejam contribuir com ideias, coproduzir com a empresa e ter prospecção de crescimento.
As empresas que não se adaptarem às tendências de compras e padrões de comportamento desse público perderão espaço. Quanto mais cedo for estabelecida uma conexão forte com esta geração, maior será a fidelização dos mesmos.

Com o objetivo de entender melhor as opiniões dos millennials, convidamos quatro jovens dessa geração para falar sobre temas abrangentes como, consumo, carreira, marketing e consciência ambiental.

SUSTENTABILIDADE CONTA
Muito se engana quem acredita que a geração Y vive no seu próprio mundinho, 24 horas de olho na tela do celular. Pelo contrário, esse grupo demográfico, demonstra grande espírito coletivo e possuem maior consciência ambiental.

O jovem adulto cresceu em um mundo onde os impactos ambientais ficam cada vez mais em evidência. É a descrença desta população mais jovem em relação a atitudes concretas das empresas para com o bem-estar coletivo que eleva a importância de os negócios incluírem em suas pautas a sustentabilidade.

Uma pesquisa realizada pela Goldman Sachs mostra que 53% dos millennials gostariam de ser mais sustentáveis e vinculam sua maneira de consumir a esse ideal.

Bianca Virgílio, 22 anos é formada em moda pela Unicesumar e é um exemplo deste grupo totalmente conectado com as mídias sociais e preocupado com o meio ambiente.
“Tenho muito apreço pela causa. A questão sustentabilidade se preocupa com a natureza e o seu futuro. Nós, seres humanos, fazemos parte e impactamos diretamente no ecossistema. Ter comprometimento com o planeta é se comprometer com a saúde do nosso futuro”, afirma.

Ela conta que no dia a dia e nos seus hábitos de consumo procura ser o mais sustentável possível e ter atitudes simples e mais conscientes como não usar sacola plástica de mercado, não utilizar canudos e copos plásticos.

Bianca explica que para essas atitudes corriqueiras existem outras opções como sacolas de pano, as famosas ecobags, canudos de vidro e levar sempre uma garrafinha de água na bolsa para não ter que consumir mais plástico.

“Não é difícil tomar atitudes mais ecológicas. É uma questão de costume e conscientização. Em relação à moda, por exemplo, gosto de comprar peças de segunda mão. Acredito que uma das formas que mais podemos colaborar com ambiente, é usufruindo o que já existe nele, sem gerar uma série de novos resíduos. Brechós são minhas lojas favoritas”, conta.

A forma mais simples de entender como a sustentabilidade impacta a questão empresarial e comercial de um negócio, seja qual for o ramo, é se atentando ao fato de que ao existir uma geração mais consciente, as cobranças para as empresas e marcas serão maiores. Negócios preocupados com a causa ganham mais espaço, enquanto modelos de empresas que caminham no sentido inverso perdem mercado.

Muitas marcas e empresas de hoje nascem com o olhar voltado para causa sustentável, e fazem disso seu diferencial para atrair consumidores. “O número de empresas estão aumentando! Vejo que metade das pessoas da minha geração estão empreendendo. Isso se dá pelo momento extremamente conectado em que estamos vivendo, o que ao meu ver promove também a sustentabilidade. A medida que essas novas empresas entram no mercado, em meio a um BOOM de consciência ambiental, sua política é diretamente afetada”.

Para esta e futuras gerações produtos com selos de sustentabilidade e cruelty free (aqueles que não testam em animais), são até mesmo um fator de decisão para consumo.
Multinacionais que geralmente buscam por mão de obra excessivamente barata, beirando a escravidão, empresas extremamente poluentes e aquelas que fazem testes de cosméticos e medicamentos em animais, são exemplos de negócios que perdem valor com essa geração. Existem fortes movimentos online para saber de onde vem o produto que consumimos e como ele é produzido, a internet possibilitou este tipo de informação estar ao alcance de todos.

“Quando penso em sustentabilidade, não penso apenas na causa ecológica, mas também no quesito humano. É muito importante que todo o trabalho desumano que acontece por trás das fábricas acabe. Logo, quando vou consumir algo novo, principalmente na internet que só vemos o que está ali exposto, procuro me informar sobre a conduta trabalhista da marca”, destaca.

Para você que quer engajar sua empresa no assunto, mas não tem ideia de por onde começar saiba que este tipo de prática pode ser traduzida em assuntos bem simples. Procure identificar as exigências de acordo com o seu segmento. Cada ramo tem seus próprios cuidados, dependendo do setor a própria legislação ambiental pode definir diretrizes específicas, como o descarte correto de materiais ou uso de licenças.

De acordo com Bianca uma dica importante é refletir sobre quais impactos ambientais o seu negócio pode causar, assim você poderá tomar medidas para combatê-los.
“Se a sua empresa gasta muito papel, por exemplo, você pode pensar em soluções capazes de reduzir esses gastos, ou descobrir a melhor maneira de reaproveitar os insumos. Incentive a equipe a não usar copos descartáveis, se for possível reutilize caixas para embalagens. Acima de tudo tenha uma empresa com políticas transparentes”, finaliza.

Ao combater o desperdício da sua empresa e torná-la mais amiga do meio ambiente o seu bolso irá agradecer e a imagem do negócio será fortalecida como uma instituição que pensa e age de forma sustentável.

MERCADO DE TRABALHO E EMPREENDEDORISMO
O jovem Leonardo Ayres Neiva de 23 anos é um exemplo desta geração engajada que busca mais do que apenas um emprego ou profissão. Natural de Teresina-Piauí, hoje ele vive em Adamantina para cursar faculdade.

O estudante de medicina é presidente da Empresa Júnior Inova Fai, da UniFai (Centro Universitário de Adamantina). A Empresa Júnior é um projeto com o objetivo de disseminar empreendedorismo aos universitários e colaborar com pequenas e micro empresas de Adamantina, fomentando o desenvolvimento regional.

Leonardo conta que para ele e para a maioria dos jovens da mesma faixa etária o emprego dos sonhos é aquele que permita trabalhar com algo que ame e ofereça boa qualidade de vida. “Sem dúvida a nossa qualidade de vida deve estar acima de qualquer retorno financeiro. O trabalho ideal seria aquele que me permite trabalhar com aquilo que amo, as pessoas e com o empreendedorismo”, assegura.

Mas o que os empresários precisam saber na hora da contratação?
Ter um ambiente colaborativo, com incentivo à geração de ideias, compromissado com igualdade e inclusão são alguns dos pré-requisitos na lista do emprego dos sonhos dos millennials. Além desses fatores vale ressaltar o fato de que no mundo atual, as inovações acontecem em grandes velocidades.

Se você parar pra pensar, até um tempo atrás, eram os funcionários que deviam se adaptar totalmente aos moldes das empresas. Não que isso ainda não aconteça, afinal esta é uma via de duas mãos. Entretanto este grupo atuante no mercado de trabalho formal espera que seu empregador também se adapte às suas exigências. Como assim? Essa geração têm muito mais expectativas a respeito de suas profissões. Desejam contribuir com a ideologia da corporação e acima de tudo ter perspectiva de crescimento dentro do trabalho.

Sem esses requisitos muitos deles se sentirão frustrados e a saída para esse sentimento será procurar por outro emprego mais alinhado com suas ideologias.
“Nós jovens somos a parte da sociedade que tem a capacidade de fornecer força de trabalho, mas principalmente a inovação. As empresas precisam se manter atualizadas, sobre diversos assuntos, pois são as inovações que permitem a evolução do seu negócio”, diz o estudante.

A era digital oferece diversos meios para o empresário conseguir informações. É preciso estar atento a sites e redes sociais, já que nesses meios a informação se propaga de uma maneira mais dinâmica. Leonardo também lembra que meios tradicionais e especializados são ótimas ferramentas de consulta. “Jornais e revistas especializadas são meios confiáveis e fornecem informações precisas, existem diversos cursos, e workshops para reciclar e se manter atualizado”.

Algo que o empresário também não pode deixar passar é o fato de conhecer seu público.
“Conhecer a necessidade do público é essencial a fim de que o negócio funcione. Isso não significa, no entanto que a sociedade possui sempre o mesmo perfil de consumo. Porém é muito importante o empresário conhecer com quem está lidando, pois é baseado nisso que são desenvolvidas as estratégias de marketing e fornecimento de serviços”, explica.
Para Leonardo o empreendedorismo é uma das maneiras mais positivas de combater o atual cenário brasileiro, onde temos cerca de 13 milhões de pessoas desempregadas. “A geração de empregos através do empreendedorismo é uma saída para a situação econômica do nosso país”.

Por ter um perfil empreendedor, ser estudante de medicina e estar à frente de uma empresa júnior Leonardo conta que diversas vezes foi questionado sobre a relação entre dois assuntos que parecem tão distantes. Contudo o estudante afirma que o empreendedorismo é algo que se encaixa em qualquer profissão, e que este fator é o diferencial dos profissionais de hoje.

“O empreendedorismo é o principal aliado do aluno na sua futura realização profissional. O fato é que um médico pode gerir uma clínica, o que exige dele habilidade administrativa, conhecimento técnico e jurídico. O administrador pode se formar e buscar uma área relacionada a consultoria empresarial, mas também pode buscar o seu próprio negócio, enfim, é algo que está ligado a todas as profissões”.

E para quem busca mais do que o mercado de trabalho formal, e quer abrir o próprio negócio nosso entrevistado dá uma dica. “O conselho que eu posso oferecer para jovens que almejam uma carreira empreendedora rápida e promissora é aproveitarem todas as oportunidades que a faculdade oferece. Nós que participamos da Empresa Júnior, por exemplo, estamos adquirindo uma experiência de gestão. Sem dúvidas isso vai nos ajudar no futuro. Para você jovem como eu sugiro participar das entidades estudantis, atléticas, Centros Acadêmicos, Empresa Jr, essas ferramentas são divisoras de águas no mercado de trabalho especialmente pela experiência que essas entidades fornecem”, conclui.

NEGÓCIO CONCEITO – VENDENDO COMO MILLENNIAL
Acima de tudo, estamos falando de uma geração de empreendedores. Uma pesquisa realizada pela MindMinders em 2017 com jovens de 18 a 32 anos mostra que 49% deles gostariam de ter o próprio negócio.

Mas existe algo a ser levado em consideração quando se trata dos millennials. Eles buscam diferencial e conceito para se destacar no mercado. O mesmo vale em relação à valorização das empresas quando estão no papel de consumidores.

Para este grupo a preocupação é mais com o propósito e com o impacto que o negócio terá na vida das empresas e do público final. Um exemplo próximo é o caso da empresária Carolina Bogalhos. A jovem de 22 anos é formada em Design de Moda pela Uniesp de Presidente Prudente e acaba de criar sua empresa, apostando no conceito da reutilização e sustentabilidade.

Depois de três anos estudando as possibilidades do mercado, Carol decidiu unir o amor pela moda ao consumo consciente. Segundo ela, a reutilização é algo que sempre valorizou enquanto compradora e agora como empresária resolveu apostar na ideia.
O negócio do qual estamos falando não é novidade no mercado. É um velho conhecido dos consumidores e vai na contramão das grandes indústrias, o brechó.

Nos últimos tempos os brechós se popularizaram e estão atingindo a geração Y não só pelos preços acessíveis, mas por ser uma alternativa sustentável de consumo.
Foi-se a época onde brechó era sinônimo de roupa velha. Agora totalmente engajados eles se tonaram uma alternativa interessante e sustentável.
A jovem empresária do ramo conta que no interior ainda não é tão comum pessoas se engajarem na compra e troca de roupas seminovas, mas o movimento como um todo ganha força.

“O mercado de brechós cresce e a variedade em seus formatos também. As pessoas começam a entender que peças usadas podem e devem ser uma solução para quando você está em busca de um item de moda exclusivo e carregado de história”, comenta.
Oferecer experiências de compras que vão além da questão financeira é algo que pode ser aplicado no comércio. A empresa precisa ser mais do que um chamariz de clientes, ela deve ter um propósito atrativo. Lembre-se que estes jovens valorizam as experiências.
O aprimoramento também vale para o comércio físico. Investir em estruturas confortáveis, com boa iluminação, ter vitrines interativas e principalmente, atendimento ágil e com conhecimento sobre a área e produtos que vendem são formas simples e de baixo investimento para melhorar o negócio.

Para Carolina, buscar um diferencial é fundamental para se destacar no mercado. “Abri a Closet de Liz, um brechó, com o intuito de propagar o consumo consciente e sustentável. Vender peças a preço justo, através de uma experiência de compra aconchegante. O planeta agradece a economia em resíduos de produção como a energia, água e matéria-prima. Seguimos com o propósito de conscientização criando estratégias de marketing, experiências de compras e styling para que os produtos voltem a circular”.

Por ter nascido e se criado nesse modelo de civilização cada vez mais conectada e globalizada, o millennial enquanto vendedor pode ser favorecido. Ele faz da tecnologia, ferramentas e canais seus maiores aliados. “O marketing digital é primordial para uma empresa. É a ferramenta que está à frente de todas pelo imediatismo que oferece. As redes sociais para o quesito venda é praticamente instantânea, você coloca uma foto do produto e em poucos minutos vão surgir interessados. Este é o maior canal de comunicação com o cliente, através dele você pode manter uma relação mais próxima com seu público e colher o feedback. Estar online hoje é muito importante para a sobrevivência e boa gestão de um negócio”, finaliza.

As propagandas tradicionais dificilmente impactam essa faixa etária, por isso consultamos o diretor de marketing da Inova Fai, Gabriel Lima e preparamos algumas dicas rápidas para fazer sua marca ou empresa ser notada por este público.
“Adaptabilidade é conhecimento. Conheça seu produto, seu mercado, seu público, saiba onde ele está e o que quer. Saiba quando e onde você investe, quanto ganha e quanto perde, saiba onde é melhor investir”, afirma Gabriel.

TUDO A UM CLICK DE DISTÂNCIA
Já falamos que esta é uma geração conectada. Por isso se sua loja ou marca ainda não estão no universo online está na hora de fazer mudanças. Redes sociais e e-commerces vão fazer você se aproximar do seu público.
Essa dica vale para os mais variados serviços e produtos. Alimentação, delivery, beleza, vestuário. Quanto mais facilidades seu negócio oferecer maior será a conexão com os millennials, eles priorizam a praticidade.

APRIMORE A EXPERIÊNCIA PELO MOBILE
Hoje o celular é mais utilizado do que computadores para acessar a internet. O censo anual sobre o uso de tecnologia da informação mostra que quase metade dos brasileiros que acessam a internet o fazem pelo smartphone. Por tanto certifique-se de que o design da sua loja virtual se adapte bem às telas menores, crie um site próprio para mobile ou invista no desenvolvimento de um app.

INTERAÇÃO PODE FAZER DIFERENÇA
Quando uma marca se relaciona e oferece atenção ao seu público nas redes sociais, isto aumenta as chances deles se tornarem clientes. Claro que isso gera mais trabalho para as empresas, porém a geração Y valoriza a proximidade da marca com seus consumidores.

DE OLHO NAS TENDÊNCIAS
Essa geração está sempre conectada e de olho em novas tendências. Para se destacar entre a concorrência os profissionais que trabalham no comércio precisam acompanhar as mudanças do mercado.

CONCEITO VENDE
Ofereça um motivo para os millennials comprarem seu produto. Atualmente existe muita concorrência no mercado. A maior chance de ganhar a corrida é de quem conseguir agregar um valor ou conceito por trás dos produtos.

PÓS-VENDA
Uma boa pós-venda mantém clientes fidelizados e deve ser tão bem cuidada quanto a conclusão do negócio. Ao manter um bom atendimento inclusive após o fechamento da compra, o cliente percebe a seriedade e a importância que sua empresa dá aos consumidores e cria uma relação mais sólida e fidelizada com a empresa.

Maila Alves
Maila Alves

Editora/Jornalista

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