MORO: O homem que faz a diferença

Existem pessoas especiais, que mudam mentalidades e melhoram a vida à sua volta. Com apenas oito anos morando em Lucélia, Julio Cesar Moro é exemplo de homem que faz a diferença. À frente do Movimento Eu Amo Lucélia, e de outras entidades, ele se dedica em transformar a realidade da cidade em que vive.

Em conversa com a Revista VOX, suas características foram facilmente identificadas: discreto, obstinado por seus objetivos e líder em busca de uma sociedade mais igualitária. Personalidade que lembra muito o parente distante, o juiz Sergio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal do Paraná. Sem contato, o parente Julio traz além do sobrenome do “herói da pátria” o ideal de uma comunidade melhor.

Mas, o que leva alguém até então sem vínculo com uma cidade trabalhar para mudá-la? Convicções. Sem pretensões políticas – já que a função de Oficial de Registro de Imóveis não permite a ele se candidatar a cargos públicos –, Julio traz consigo valores cristãos que tenta repassar para aos filhos Luigi, de 15 anos, e Thiago Falcão Moro (10). “Faça para os outros como se fosse para sua família”.

De Novo Horizonte para Lucélia
Natural de Itápolis (SP), Julio passou boa parte de sua vida em uma cidade vizinha – Novo Horizonte. Lá, trabalhou desde os 13 anos no Tabelião de Notas. Focado nos estudos e com objetivo de alcançar algo melhor, se formou em Direito e cursou duas pós-graduações – Direito Público e Direito Notarial e Imobiliário.

Em 2.009, passou em concurso público para assumir a função de Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas, em Lucélia – município que nunca tinha ouvido falar. “Deus me colocou aqui”, destaca.
Casado com Talita Simon Falcão Moro, mudou-se com a família para a nova cidade, de 21.330 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Fui bem recebido, me acolheram muito bem aqui”.

Meses depois, Julio já estava participando do Rotary Club, quando começou a se engajar na causa social. “Queria contribuir para a construção de uma sociedade melhor. Retribuir ao próximo o tanto que Deus é bondoso com minha família”.
Em seguida, ele integrou a diretoria da Creche Ana Maria Javouhey. “A situação de quando assumimos era precária. Trabalhamos e conseguimos revitalizar a infraestrutura da entidade, que atende 90 crianças de 0 a 4 anos. Nosso objetivo sempre foi levar conforto e igualdade para elas”, conta.

Como vice-presidente da instituição infantil, o nome de Julio Cesar Moro começou a ser mais conhecido por Lucélia. E, mesmo com este trabalho social, algo ainda incomodava o luceliense de coração – a baixa autoestima da população.

Movimento Eu Amo Lucélia
Durante as eleições municipais de 2.016, Julio percebeu como a cidade estava dividida. Com quatro candidatos a prefeito, se destacou mais o lado negativo dos adversários do que o debate de ideias para retomada do crescimento.
Além da polarização política, as reclamações de que nada era feito na cidade e a falta de atitude da população motivaram Moro a postar um desabafo nas redes sociais, finalizado com “Eu Amo Lucélia”. “Ao invés de criar problemas, vamos nos unir. É mais fácil reclamar do que agir. E, isso precisa ser mudado. Era preciso resgatar a autoestima da população, que não demonstrava amor pela própria cidade”, enfatiza. A postagem foi feita em março deste ano.

Em poucas horas, a publicação alcançou dezenas de comentários, curtidas e compartilhamentos, dando início a um movimento inedito na cidade. “Foi algo surpreendente. O amor por Lucélia estava adormecido no coração da população. Em seguida, foi montado um grupo no WhatsApp e, em uma semana, o Movimento já contava com 200 integrantes”.
Mobilização feita, agora era necessário agir. Foi proposto como primeiro ato do Movimento Eu Amo Lucélia a revitalização da praça José Firpo. Sem espaço público de lazer, o objetivo é oferecer um local de socialização, prática de esportes e valorização da cultura local, por meio da arte e da música.

Para colocar o projeto em prática foi iniciada também campanhas para arrecadação de dinheiro. A primeira delas foi a Feira do Doce, que arrecadou cerca de R$ 6 mil. “As ações contam com envolvimento de quem quer uma cidade melhor, sejam aqueles que moram em Lucélia como também em outros municípios”.

União
Com ideologia de fazer o bem, sem partidarismo, Julio destaca que a primeira regra do grupo foi a proibição de se comentar sobre política. “Somos um órgão de cobrança e fiscalização, independente de quem está no governo. Temos que buscar a união. E, essa unidade já está sendo alcançada. Vários políticos de partidos distintos fazem parte do Movimento”.

 

“Somos um órgão de cobrança e fiscalização, independente de quem está no governo. Temos que buscar a união.

Apesar de não poder se propagar ideologias partidárias no grupo, a política é uma das essências do “Eu Amo Lucélia”. “A política faz parte do nosso dia a dia. E, para alcançarmos nossos objetivos, é necessário manter o bom relacionamento com poder público. Isso não quer dizer que somos a favor ou contra tal político, mas, sim, buscamos resgatar e propagar o amor pela cidade”.

Uma das formas encontradas para disseminar este amor foi por meio de camisetas alusivas ao Movimento. Aos sábados, todo o comércio utiliza a vestimenta que conta com a frase “Eu Amo Lucélia” e um coração. “Mais de mil camisetas foram vendidas. Pessoas de outras regiões do país já compraram, contribuíram com o grupo”.
Durante noves meses, os voluntários realizaram outras ações visando a revitalização da praça José Firpo, como Arraiá e Cavalgada. Em dezembro foi realizado mais um evento solidário, o 1º Boteco da Amizade, com renda destinada à Santa Casa de Misericórdia. “São momentos de confraternização da população e de contribuição para a cidade”.

Dedicação
Atualmente, Julio respira “Eu Amo Lucélia”. “Só me dedico ao movimento e ao trabalho. Abri mão do meu lazer, das minhas viagens que eu gostava tanto de fazer, para me dedicar à cidade. Em quatro anos, espero que o Movimento tenha deixado marcas concretas na comunidade”, projeta.

“O amor por Lucélia estava adormecido no coração da população. Em seguida, foi montado um grupo no WhatsApp e, em uma semana, o Movimento já contava com 200 integrantes”.

Com apoio da esposa, que também participa das atividades, Julio encontra na família o suporte para continuar seu engajamento social. “Eles respeitam e participam. Sabem a importância deste trabalho, que não tem nenhuma pretensão. Apenas contribuir com a cidade”, enfatiza.

Julio é presidente do “Eu Amo Lucélia”, vice da Creche Ana Maria Javouhey e recentemente, por meio do Movimento, assumiu o comando da Santa Casa de Misericórdia. “A mudança tem que começar da base, dos municípios. Somente assim construiremos um país melhor. Além disso, temos que edificar uma sociedade mais justa. Nós, cidadãos, temos direitos e deveres. Não podemos nos esquecer disso”, conclui.

Sem comentários

Responder

Seu email não ficará visível.

vox@gimpacto.com.br - 18 3522 1199 - Rua Euclides da Cunha, 4 - Centro, Adamantina - SP – CEP 17800-000