O legado de Valdecir Brambilla

Em algum momento da vida iremos parar para pensar sobre tudo que fizemos, ou deixamos de fazer, o que construímos, aprendemos, ensinamos ou repassamos para as pessoas. Qual será o nosso legado? O que irão lembrar quando estiverem pensando sobre nós, que atitudes e conhecimentos gerados por nós beneficiaram ou oportunizaram conhecimentos para os outros?

Perguntas realizadas durante toda a vida de Valdecir Brambilla, que hoje, aos 77 anos, tem orgulho de responder: “é um castigo muito grande olhar para trás e nada ver. Você precisa olhar e ver algo realizado, não para si, mas socialmente, para o próximo. Posso não ter conseguido muita coisa, porém, sempre tive a intenção de beneficiar a todos, principalmente os menos favorecidos”, diz.

Com uma vida intensa de realizações, no campo, na política e no comércio, o aposentado recebeu a VOX para contar um pouco de sua trajetória de vida, marcada nas histórias de Lucélia e Adamantina. Hoje, sem obrigações ou compromissos diretos, Brambilla dedica seus dias à família e às suas propriedades rurais.

Porém, nem sempre sua rotina foi tranquila. Brambilla fundou a Cazola (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Lucélia), o Sindicato Rural de Lucélia e foi eleito vereador também por Lucélia. Em Adamantina, atuou como diretor da Camda (Cooperativa Agrícola Mista de Adamantina) e da ACIA (Associação Comercial e Industrial de Adamantina), fundou o Sindicato Rural, o Sindicato do Comércio Varejista e foi um dos sócios fundadores da Adalcool – destilaria de álcool. Além de ser vice-presidente da Cocipa, em Inúbia Paulista, onde atua até hoje.

DE ITÁPOLIS À ADAMANTINA
Natural de Itápolis (SP), ele começou a trabalhar aos 11 anos em uma empresa atacadista de secos e molhados, sem deixar de estudar. Assim foi sua juventude até os 18 anos, quando veio morar em Lucélia para alistar-se no Tiro de Guerra. Órfão de pai desde os três anos de idade, Brambilla mudou-se com os três irmãos e sua mãe, Dona Lola, para perto dos familiares dela, em Lucélia.

Logo, o jovem conseguiria o seu primeiro emprego em uma empresa que comprava café – sua paixão. “Sempre gostei da lavoura de café”, pontua.
Aos 23 anos casou-se com Madalena Ferruzzi, tornando-se pai de seus três filhos: Rinaldo, Ricardo e Renato. Ficou viúvo aos 29 anos. E, em dezembro de 1972, casou-se com a professora Marli Zaparoli, vindo a ser pai de Melissa.

Ainda, na década de 70, adquiriu sua primeira propriedade rural, que aliado ao trabalho incansável do casal e a valorização do café, possibilitou o crescimento de seu patrimônio.
Nesse período de expansão do produto, Brambilla percebeu que a renda se concentrava com poucas pessoas, foi quando fundou a Cazola. “Nessa época havia uma concentração de valores muito grande, o café deu repiques de preços e apenas três ou quatro pessoas da cidade acumularam fortunas.

Os produtores não aproveitaram desse bom momento, porque já haviam vendido seus produtos aos intermediários. Então, entendi que uma cooperativa poderia distribuir melhor a renda. Foi quando fundamos a Cazola, em Lucélia, e passamos a receber o café dos cooperados e fazer o beneficiamento para colocar o produto diretamente no mercado. A ideia inicial foi tirar os intermediários para evitar o que houve em 1964. Assim, a renda ficava melhor distribuída entre os produtores e não concentrada com os compradores”, recorda.

O espírito empreendedor e de liderança fez também com que Brambilla mobilizasse os produtores agrícolas e fundasse o Sindicato Rural de Lucélia. Anos depois, fundou o Sindicato Rural de Adamantina. “Os Sindicatos Rurais, tanto de Lucélia como de Adamantina, foram formas de unir um pouco mais a classe, formar lideranças de defesas aos produtores rurais. Fui na época bastante influenciado pelo presidente da Federação da Agricultura de São Paulo para fundar os sindicatos que até hoje estão em plena atividade”.

“É um castigo muito grande olhar para trás e nada ver. Você precisa olhar e ver algo realizado, não para si, mas socialmente, para o próximo.”

 

Filhos e netos de Valdecir Brambilla

Entre os anos de 1968 a 1972, uma nova experiência: Brambilla assumiu o cargo de vereador com apenas 28 anos. “Tinha na época uma proposta da Camda feita pelo então presidente Mario Matsuda para gerenciar a empresa. Não aceitei, pois era gerente da Cazola. Porém, em 1972, fui pressionado para ser candidato a prefeito de Lucélia. Não quis mais participar da política, pois foi uma experiência decepcionante. Aceitei a proposta de vir para Adamantina e assumir o cargo de gerente da Cooperativa.

Atuei na Camda por 17 anos, primeiro como gerente e depois como diretor administrativo. Ao deixar a empresa fiz parte da diretoria da Associação Comercial e Industrial de Adamantina e fundei o Sindicato do Comércio Varejista, do qual fui presidente por vários anos. Foi nessa época que fui convidado para fazer parte da diretoria da Cocipa, o que aceitei e permaneço até hoje, como vice-presidente”, relembra.

CAMPO – SUA PAIXÃO
Além da atuação em empresas e entidades, Brambilla sempre teve forte ligação com o campo. Filho de pais pecuaristas, desde pequeno acompanhava a rotina nos sítios e fazendas e, hoje, se faz presente na rotina das propriedades rurais nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Por isso, sempre se dedicou para o fortalecimento da classe rural. “O problema do meio rural sempre foi e continua sendo a falta de união. A agricultura é a atividade principal de manutenção do país, é a grande riqueza que ainda impulsiona nosso Brasil, mas, infelizmente, não há nenhuma liderança a altura de sua grandeza”.

Sempre atento às mudanças de mercado, Brambilla também direcionou a família para novas atuações, fundando a JVR Serviços e também a JVR Segurança e Monitoramento. “Sentia que a área rural não estava num momento bom para crescimento, então precisaria tentar novos rumos. Pelos filhos, sempre sonhei diversificar as atividades. Com um agrônomo, um veterinário e um empresário, a família dá continuidade aos negócios. Continuo, enquanto posso, sendo apenas um coordenador, dando segurança e apoio, quando necessários. Quanto à minha filha, ela segue sua própria escolha em um ramo bem diverso que é a moda”, diz.

VALORES E FAMÍLIA
Aos 77 anos, Brambilla tem orgulho dos valores repassados aos filhos e de sua história construída com trabalho e dedicação aos interesses da coletividade. “Lealdade e honestidade não se discutem. Aprendi com minha família e repassei aos meus filhos dos quais me orgulho”, finaliza.

João Vinícius

Jornalista

1 Comentário
  1. “O fruto nunca cai muito longe da arvore”.
    Olhando para a familia que você construiu, sr. Valdecir, seu legado já se justifica.
    Impressiona o amor e o respeito que os une. Pode até ser que você, por ser parte, nao veja nos seus filhos e netos a reprodução de seus valores e atitudes. Mas eles são a prova desta herança moral e a certeza de que era este o caminho e a escolha certa de vida. Ai está seu maior legado! Parabéns!

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