O sabor do sucesso

Pais passam educação, valores e tudo o que acreditam ser essencial para o crescimento dos filhos. Natal Crepaldi e Maria Aparecida Rodrigues foram além, sendo exemplos de empreendedorismo aos filhos Julio Crepaldi e Cilene Rodrigues Costenaro, respectivamente, – que hoje comandam os principais restaurantes de Adamantina.

À frente dos tradicionais Cartola e Cheiro Verde, Julio e Cilene trazem no sangue o espírito empreendedor, ensinado pelos patriarcas das famílias Crepaldi e Rodrigues Costenaro.


Por acaso, dono de restaurante

Desde jovem, Julio acompanhava o pai no comando de um tradicional bar na avenida Adhemar de Barros – o Bar do Seu Natal. Lá, teve o primeiro contato com o mundo dos negócios. Mesmo simples, já servia de exemplo e bagagem para algo maior, que viria anos depois.

Entre os 19 e 20 anos, época em que os jovens saem de casa para estudar em outras cidades, Julio também pretendia fazer o mesmo e cursar Agronomia. Porém, não queria deixar a família, sua namorada Ana Elisa (hoje esposa) e morar longe.

Com a experiência adquiria de anos de empreendedorismo de seu pai, decidiu se aventurar – juntou as economias da família e adquiriu a famosa Cantina Portuguesa na avenida Capitão José Antônio de Oliveira. “Realmente foi uma aventura. Não queria morar longe de meus pais, mas precisava fazer algo. Juntei as economias da minha família, com a ajuda de um e de outro adquiri a Cantina Portuguesa, que tinha tradição de mais de 40 anos na cidade, mas que nos últimos tempos não estava muito bem. Foi então que iniciei o Cartola”, relembra.

Mesmo sem prática na cozinha, e com ousadia, Julio iniciou uma revolução no restaurante. Aos poucos, deixou o agora Cartola com a sua cara, democratizando o acesso aos restaurantes. “Sempre fui sonhador, e para concretizá-los trabalhava muito. Desde o início, no Cartola sou um gestor, acompanho todo o processo de preparo e atendimento, se fosse necessário até ajudava a fazer a comida, com lema de oferecer ao cliente sempre uma experiência inesquecível”.

Ao passar dos anos, o Cartola foi se consolidando como um dos principais restaurantes da cidade e, com isso, começou receber autoridades políticas, grandes empresários e personalidades que vinham à Cidade Joia. “No começo foi muito difícil, na época em que a economia do país era inconstante passei por muito aperto. Mas, graças a Deus e com muito trabalho, nos mantivemos e crescemos. Já recebemos diversas autoridades políticas, artistas, o que mostra a qualidade do nosso empreendimento. Porém, como disse, o Cartola é democrático, recebe todos os tipos de público com a mesma satisfação”, destaca.

“Estamos em constante processo de evolução, não podemos parar. E por isso decidi empreender novamente, oferecer algo novo para a noite de Adamantina”.

Com a estabilização da economia e o sucesso do rodízio de pizza – uma das marcas do Cartola, Julio decidiu se aventurar novamente. Desta vez, adquiriu outro restaurante e o transformou no Cartola Grill – uma nova experiência gastronômica à cidade. “Estamos em constante processo de evolução, não podemos parar. E por isso decidi empreender novamente, oferecer algo novo para a noite de Adamantina”, comenta.

De hábitos simples, como se define, Julio tem se dedicado mais a si nos últimos anos. “Tenho uma equipe comprometida, em que posso confiar o andamento dos restaurantes, sobrando tempo para dedicar à simples hábitos que me fazem bem, como andar de bicicleta, tomar vinho, viajar…”.

E, até hoje, seu pai acompanha o cotidiano do restaurante e se faz presente no Cartola. “Ele gosta de vim aqui, acompanhar, interagir com os clientes, realmente é um exemplo e a quem só tenho a agradecer”, disse Julio Cartola, que finaliza brincando: “Hoje meu sobrenome não é mais Crepaldi. Todos me conhecem por Julio Cartola”, brinca.

De geração em geração
A família Rodrigues também traz no sangue o espírito empreendedor. Desde a década de 30 mantém a tradição de ter comércio em Adamantina, passado de geração em geração.
Naquela época, Augusto Lopes e Quirino Rodrigues tinham os chamados “botecos” nos bairros do Mourão, Pé de Galinha e Timbó. Anos depois, seus filhos se casaram – Américo Rodrigues e Maria Aparecida Rodrigues, iniciando uma nova geração de empreendedorismo.


Em meados de 1.959, eles abrem o Armazém Rodrigues também no bairro Pé de Galinha e, quatro anos depois, os negócios foram ampliados para o centro antigo de Adamantina, onde abriram outro armazém.
Com o surgimento dos supermercados, eles fecham os mercadinhos e decidem investir em um novo empreendimento na avenida Rio Branco (onde hoje é o Bazar Adamantina), o que posteriormente se tornaria o Restaurante Rodrigues.

“Tudo começou com a mãe fazendo e vendendo feijoada, que se tornou famosa na cidade. Ela conta que já entregou mil potes do prato típico brasileiro em um único dia. Tudo era muito simples e feito com muito amor”, relembra Cilene.

Com muito esforço e dedicação, os Rodrigues diversificam as atividades e inauguram outros restaurantes em Adamantina e Lucélia. Após 20 anos da primeira refeição servida, fecharam as filiais e abriram outro restaurante em frente à rodovia, a famosa Ponderosa. “Por ter um amplo espaço, meu casamento foi realizado lá. Era muito frequentado por caminhoneiros e pela população em geral, ficamos abertos por 19 anos”, conta.

Porém, o empreendedorismo da família Rodrigues não parou por aí. Devido ao crescimento da cidade, resolveram abrir o primeiro restaurante por quilo e self-service no centro da cidade, o Vale Quanto Pesa. “Um derrame cerebral em meu pai o afasta da administração dos restaurantes e meu irmão assumiu esta responsabilidade”.

Em 2.001, ocorrem novas mudanças: Cilene decide assumir a empresa, comprando a parte do irmão e entrando em sociedade com os pais. Assim, tem início a história de sucesso do Cheiro Verde. “Desde pequena acompanhei, ajudei meus pais nos restaurantes. É algo que gosto, está em meu sangue. Infelizmente, meu pai faleceu anos depois, homem de garra e empreendedor, que junto com a minha mãe habilidosa na cozinha, conquistou espaço e fez do restaurante um dos melhores e mais frequentados na cidade”, comenta.

No ano de 2.009, ela dá um novo passo e abre o Cheiro Verde Grill, administrado pela filha, a nutricionista Taísa Rodrigues Costenaro – 4º geração de comerciantes, e João Costenaro Neto, marido da empresária. “A Taísa está à frente do Grill e a Isabela e Ana Carolina (filhas mais novas) me ajudam no Cheiro Verde.

É uma felicidade ver o interesse e dedicação delas com os empreendimentos da família. Foram muitos anos de trabalho, sofrimento, até conquistarmos esta estabilidade. E, até hoje, minha mãe acompanha a rotina dos restaurantes, sendo exemplo para minhas filhas. Sou muito feliz”, relata Cilene.

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