O sonho da cerveja própria

As cervejas artesanais fazem uma revolução no mercado nacional e conquistam consumidores por todo país. A curiosidade e apreço pela cultura cervejeira motivaram os amigos Adolfo Leal e Deivid Oliveira a criar e a colocar no mercado o próprio rótulo, Dhuo Cervejaria Artesanal

A cerveja foi a primeira bebida alcoólica produzida pelas mãos do homem. Ela acompanha a humanidade desde as primeiras civilizações. Já era conhecida pelos antigos povos da Suméria e Egito há mais de oito mil anos. Com o passar do tempo vários povos produziram o líquido a seu próprio modo, o que deu origem a diversos estilos de cerveja.

Com as inovações trazidas pela Revolução Industrial a produção da bebida passou de uma atividade doméstica para fabricação em larga escala. Hoje o Brasil é o terceiro maior produtor do mundo em volume (ficando atrás apenas dos Estados Unidos e China) e a famosa “cervejinha” está presente em diversos momentos na vida do brasileiro, conquistando consumidores de todas as camadas da população.

Levando em consideração este cenário, podemos dizer que a cerveja é uma das paixões nacionais. Um movimento que ganha espaço por aqui é o das cervejarias artesanais. O número de fabricantes, marcas, e rótulos do produto se multiplicou nos últimos anos.

Quando falamos em cervejas artesanais, que também podem ser chamadas de especiais, premium ou gourmet, estamos nos referindo aquelas produzidas de forma mais cuidadosa com foco na variedade de aromas, cores e sabor, utilizando técnicas e receitas tradicionais.

A tendência de produzir cervejas de forma caseira é conhecida por homebrewing, uma prática que ganhou força nos Estados Unidos e devagar chegou até os brasileiros. É cada vez mais comum ver curiosos e apreciadores da bebida especial entrando neste mercado.

Exemplo de que o produto “gourmetizado” caiu no gosto da população, os amigos e sócios Deivid Oliveira e Adolfo Leal transformaram a paixão e o hobby da produção caseira de cervejas em negócio. Prestes a inaugurar em Dracena (SP), a fábrica da Dhuo Cervejaria Artesanal marca que criaram, os empresários contam à VOX como surgiu a inciativa de entrar para o ramo cervejeiro. Vamos voltar alguns anos, mais precisamente para 2007, onde a curiosidade sobre o processo de fabricação fez com que Deivid iniciasse os estudos de homebrewing.

Ele conta que diferente do momento atual em que a cerveja artesanal está com a popularidade em alta, na época ganhava o mercado de forma tímida, já que tinha como grandes concorrentes as cervejas especiais importadas que chegavam ao Brasil a um valor razoável. Por este motivo era com dificuldade que o empresário encontrava material literário sobre o assunto e poucos grupos com que podia trocar receitas e técnicas de produção.

“Sempre tive uma curiosidade grande pela cerveja, quando era adolescente eu não consumia o produto, mas já fazia coleção das latinhas da bebida. Dez anos atrás comecei a pesquisar como era feita a produção artesanal, encontrei alguns grupos na internet sobre o assunto e trocávamos ideias e receitas, assim foi nascendo um grande gosto pessoal pela produção da cerveja”, conta Deivid.

Com apenas uma panela, alguns baldes, canecas e um pequeno kit de insumos adquiridos pela internet ele produziu sua primeira leva de cerveja caseira em 2008. A estrutura pequena possibilitava uma fabricação de apenas 20 litros de cerveja a cada teste.

“Confesso que no início as cervejas eram horríveis, mas como todo bom cervejeiro não jogava nada fora. Depois dessa primeira experiência não conseguia parar de pensar em fabricar minhas cervejas”.

Em 2010, após aprimorar suas técnicas e receitas ele inscreveu uma de suas criações, uma cerveja da categoria Brown Porter, no Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, realizado em Porto Alegre (RS). O resultado foi a conquista da medalha de bronze. Para ele foi naquele momento a confirmação de que seguia pelo caminho certo.

De volta a produção informal, mesmo obtendo poucas quantidades da bebida, o que desenvolvia era o suficiente para distribuir entre os amigos e colher o feedback que precisava para o constante aprimoramento das receitas.

Um desses colegas era Adolfo Leal, que se tornou um grande incentivador do produtor. De uma área profissional completamente diferente deste ramo, o odontólogo por formação, também apreciador e curioso sobre a fabricação de cervejas, se tornaria pouco tempo depois sócio no empreendimento.

Adolfo explica que na época não era comum, principalmente no interior, produzir cerveja em casa e quis conhecer melhor esta prática. “Quando o Deivid comentou que estava fazendo cerveja em casa fiquei curioso, experimentei a bebida, e gostei tanto do produto que pedi para ele fazer mais. Como era algo que despertava minha curiosidade prôpus que me ensinasse a produzir também. Ele topou e montamos uma pequena estrutura de cozinha onde começamos a fabricar as receitas apenas por hobby.

Porém a coisa ficou séria, passamos a estudar e fazer cursos relacionados a área e de repente quando percebemos as nossas cervejas estavam sendo bem recebidas pelos colegas”. O nome Dhuo, é justamente uma referência a sociedade entre os dois, que resolveram sair da fase de testes após alguns anos de pesquisas e aperfeiçoamento. Ao notar a aceitação do público em relação ao produto decidiram começar a fabricar suas receitas pra valer.

Atualmente a dupla produz três rótulos de cerveja: a Dhuo Ipa, com receita de origem inglesa, mais amarga, encorpada e aromática. Dhuo Weiss, uma Weizenbier, de procedência alemã, com característica refrescante que segundo os empresários é a melhor opção para quem está começando a conhecer as cervejas artesanais. E a cerveja de abóbora, Dhuo Pumpkin Ale, uma receita americana que eles desenvolveram com o intuito de trazer algo diferente para o mercado.

A cerveja artesanal ganha território, a quantidade de microcervejarias abertas no Brasil até dezembro de 2017 confirma este fato. Segundo dados da Associação Brasileira das Cervejas Artesanais (Abracerva), são 675 fábricas do nicho com registro no Mistério da Agricultura e Abastecimento (MAPA).

Apesar de crescente os sócios afirmam que o setor ainda encontra algumas dificuldades. “A carga tributária é um problema, os pequenos produtores são excluídos de certos benefícios que o governo poderia ceder para o desenvolvimento do setor”, afirma Deivid.

Para viabilizar a fabricação os empresários optaram por terceirizar a produção de suas receitas, em um modelo de negócios chamado de “cervejarias ciganas”, também conhecidas como colaborativas. Este sistema muito comum no mercado cervejeiro permite que pequenos produtores, usem a estrutura de outra cervejaria para fabricar e comercializar os rótulos no mercado.

Após um ano trabalhando neste sistema os sócios analisaram o mercado e a representatividade que a marca atingiu na região. E ao notarem o grande potencial do negócio decidiram abrir a própria fábrica.


“Decidimos depois de muito estudar e planejar, investir numa estrutura própria. Ter nossa fábrica também vai permitir reduzir os custos que implicam uma terceirização que acabava encarecendo o artigo para o consumidor final”, explica Deivid. O local escolhido para realizar essa entrevista foi justamente a estrutura em fase final de construção, que vai abrigar a produção da Dhuo. Os sócios apresentaram o grande espaço de 450m² que a princípio irá produzir o volume de oito mil litros da bebida por mês. E eles garantem que já tem previsão de expansão.

Na fábrica além da produção das cervejas engarrafadas, estarão disponíveis barris de chopp com receitas assinadas pela dupla. A estrutura contará com um espaço gourmet e uma loja onde os apaixonados pela bebida poderão encontrar souvenirs e garrafas da marca. O projeto dos empreendedores não para por aí, a intenção é desenvolver novos produtos, ministrar workshops sobre a fabricação de cerveja artesanal e seguir disseminando essa cultura pela nossa região.

“Estamos com uma grande expectativa em oferecer um produto inovador na nossa região, queremos que a população tenha acesso direto a um produto fabricado aqui na Nova Alta Paulista, um produto regional e desenvolvido por pessoas da nossa terra”, finaliza Deivid.

Maila Alves
Maila Alves

Editora/Jornalista

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