Sonho grande

Em outubro do ano passado, o Clube das Bandeiras de Osvaldo Cruz inaugurou sua terceira quadra de tênis. Para celebrar a conquista do novo espaço, tenistas da região realizaram um torneio com disputas em três categorias. Para boa parte dos atletas, aquela competição fazia jus ao trabalho de formiguinha iniciado anos atrás na região.

O crescimento do tênis da Alta Paulista começou há oito anos, por meio da iniciativa de alguns professores. Outras cidades do interior do Estado de São Paulo já haviam experimentado o gosto pelo esporte, mas em Lucélia, Adamantina e Osvaldo Cruz, tenistas iniciaram um trabalho gradual, atraindo no passado atletas que hoje competem em torneios estaduais e nacionais.

De início, a procura pelo tênis começou com atletas infanto-juvenis. Em seguida, os adultos tomaram gosto pelo esporte ao verem seus filhos disputando diversos campeonatos.

Gustavo Neufal e seu professor de tênis Hugo Cerci: treinos e dedicação em busca de oportunidades no esporte, que ganha espaço na Alta Paulista.

De acordo com o professor de tênis Hugo Cerci, na microrregião “há uma média de seis atletas participando de torneios federados e regionais”. As competições regionais são realizadas em Osvaldo Cruz, em Bastos e Adamantina. Já os torneios federados, os atletas viajam até Bauru, São José do Rio Preto, Marília, Ribeirão Preto e São Paulo.
“Os dois últimos torneios que fizemos em Osvaldo Cruz foi importante para a molecada que estava começando no tênis. Muitos jovens estavam indecisos se iriam continuar ou não no esporte, mas os torneios despertaram um interesse maior dos alunos pelo tênis”, disse o professor.

Valores
Para manter as bolinhas em jogo nas quadras sintéticas, de saibro, cimento ou relva, os alunos de tênis precisam sustentar, no entanto, um valor financeiro razoavelmente alto. Na região, A mensalidade individual é de R$ 120, sendo que as aulas acontecem uma vez por semana. Em grupo, o valor cai para R$ 100. Aos que desejam se inscrever nos torneios, o investimento mínimo é de R$ 70.
“É um esporte com o custo meio alto. No entanto, o que dificulta financeiramente os atletas é que eles precisam ser sócios de um clube [recreativo], pois não temos academia de tênis na região”, afirma Hugo Cerci.
Para o professor, o que torna muitas vezes o esporte impopular é a falta de investimentos pelas prefeituras e projetos sociais da região para com o esporte. “Falta gente da área pública com interesse no tênis, pois queremos descobrir mais atletas. E acabou aquele estigma de que o tênis é um esporte só para ricos. Não é mais assim. É possível fazer hoje um trabalho bacana com pessoas que não têm muitas condições”.

Promessa
Em meio ao crescimento e as dificuldades, é da cidade de Lucélia que nasceu uma das grandes promessas do tênis da Alta Paulista. Gustavo Naufal, 15, descobriu o esporte através dos pais, Mamed Naufal e Ana Flora. Sua irmã mais velha, Gabriela, 22, teve a oportunidade de treinar tênis nos Estados Unidos, mas optou por seguir o curso de medicina em Catanduva (SP).
Apesar de ter uma noção das regras e de como era praticado o esporte, o jovem atleta encontrou dificuldades nos primeiros meses de aula, mas com o tempo conseguiu se sobressair entre os demais alunos e disputou diversos campeonatos.

Em sua carreira, Gustavo venceu a 2ª etapa do Circuito Paulista em Leme (SP), campeonatos em Catanduva e em Santa Cruz do Rio Pardo, além de ter disputado a “Copa Guga Kuerten” em Florianópolis (SC) e um torneio internacional no Paraná, o “Londrina Juniors Cup”, competição em que chegou até as oitavas de final.
No entanto, Gustavo afirma que o tênis é um esporte “extremamente competitivo” e que encontra dificuldades financeiras para participar dos torneios pelo Brasil. “Consegui o apoio material da Wilson com raquetes, mochilas, bolinhas e algumas roupas num torneio que disputei, mas nesse meio há pouco incentivo. Tenho duas irmãs e é difícil para os meus pais me ajudarem nas viagens”, disse o atleta.

Para encorajá-lo, além dos pais, o tio Douglas Agra e uma empresa especializada em serviços de limpeza, a RS Consultoria, ajudam financeiramente o atleta para que ele possa participar das competições porque “não é um esporte barato”, segundo o próprio Gustavo.

Gustavo Neufal e seu professor de tênis Hugo Cerci
Gustavo Neufal e seu professor de tênis Hugo Cerci

Para se ter um ideia, somente para a inscrição, o atleta teve que fazer um investimento de R$ 120, tanto na “Copa Guga” como no “Londrina Juniors Cup”.
“Este último torneio no Paraná reuniu atletas da América do Sul. Na categoria simples classifiquei para a chave principal, mas acabei sendo superado na primeira rodada. Numa outra categoria, em dupla, cheguei até as oitavas de final ao lado de um amigo de Bauru”, relembra o jovem atleta.

Embora existam diversas barreiras, Gustavo Naufal tem grandes sonhos e objetivos mais ou menos definidos. Sua principal ambição é agarrar a oportunidade que a irmã optou em deixar no passado e desenvolver suas habilidades como tenista nos Estados Unidos, na IMG Academy Bollettiery, localizada no estado da Flórida, no sul do país.
Na preparação, a meta é mudar de rota dos treinos que acontecem às quartas-feiras no Tênis Clube de Lucélia e se inscrever na escola de tênis em São José do Rio Preto. “Um dos tenistas de lá está entre os 10 melhores da América do Sul. Vou fazer um teste, se for aceito irei mudar para São José do Rio Preto”, finalizou o atleta.

 

POR LUIS GABATELLI  *    FOTOS SANDRA KOBAYASHI

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